A otite média aguda é uma infeção súbita do ouvido médio que provoca inflamação, dor intensa de ouvido e, frequentemente, febre. É muito comum em crianças, sobretudo após constipações ou outras infeções respiratórias, mas também pode afetar adultos.
Na maioria dos casos de otite média aguda, os sintomas melhoram em poucos dias com tratamento adequado, embora alguns possam persistir até cerca de uma semana.
Tópico | Resumo |
O que é a Otite Média Aguda | Infeção aguda do ouvido médio, com inflamação intensa e, muitas vezes, acumulação de líquido atrás do tímpano. |
Causas principais | Habitualmente surge após constipações ou infeções respiratórias; pode ser de origem viral ou bacteriana. |
Sintomas mais frequentes | Dor intensa de ouvido, febre, sensação de ouvido cheio, perda auditiva temporária e, por vezes, saída de secreção. |
Fatores de risco | Idade precoce, frequência de creche, alergias, tabagismo passivo, alimentação com biberão deitado. |
Diagnóstico | Baseia-se na história clínica e no exame do ouvido com otoscópio; em casos selecionados recorre-se a audiograma e timpanograma. |
Tratamento | Analgésicos e antipiréticos para dor e febre; em situações específicas, antibióticos e, se houver perfuração, gotas otológicas adequadas. |
Complicações | Perfuração do tímpano, otite média crónica, mastoidite e, raramente, perda auditiva permanente ou disseminação da infeção. |
Prevenção | Amamentação, evitar fumo do tabaco, boa higiene das mãos, alimentação correta do bebé e vacinação atualizada. |
Otite Média Aguda em adulto | Menos frequente do que na criança, mas com sintomas semelhantes e que deve ser sempre avaliada por um médico. |
A otite média aguda é uma infeção súbita do ouvido médio, a cavidade cheia de ar situada atrás do tímpano onde se encontram os ossículos responsáveis por transmitir o som.
Caracteriza-se por inflamação intensa e, muitas vezes, acumulação de líquido atrás do tímpano. Esta inflamação explica a dor de ouvido (otalgia), a sensação de pressão ou de ouvido tapado e, em alguns casos, a saída de secreção pelo canal auditivo quando o tímpano se perfura.
É especialmente frequente em crianças, mas também pode surgir em adolescentes e adultos, sobretudo associada a constipações ou outras infeções das vias respiratórias.
A otite média aguda é, na maioria das vezes, consequência direta de uma constipação, gripe ou outra infeção respiratória das vias aéreas superiores.
Os microrganismos presentes no nariz e na garganta conseguem chegar ao ouvido médio através da trompa de Eustáquio (canal que liga o ouvido ao nariz), provocando inflamação e acumulação de líquido atrás do tímpano.
Essa combinação de inflamação e líquido cria um ambiente ideal para o desenvolvimento de infeção. As causas e fatores que mais contribuem para este processo são:
Fumo do tabaco, alergias, poluição ou mudanças bruscas de pressão (como em voos ou mergulhos) irritam as mucosas e aumentam o risco de inflamação no ouvido médio.
Em conjunto, estes mecanismos favorecem a inflamação e a acumulação de líquido no ouvido médio, criando condições ideais para a proliferação de microrganismos e para o desenvolvimento de otite média aguda.
Os sintomas da otite média aguda desenvolvem-se geralmente de forma rápida e podem ser bastante intensos.
Os sintomas mais frequentes incluem:
Nas crianças mais pequenas, podem ainda observar-se:
A otite média aguda em adulto é menos frequente do que na infância, mas quando surge merece atenção, porque pode estar associada a outros problemas do nariz, dos seios perinasais ou da trompa de Eustáquio.
O quadro mantém os sintomas típicos já descritos, mas o contexto e os fatores de risco são muitas vezes diferentes.
Nos adultos, a otite média aguda tende a aparecer em situações como:
Alguns fatores aumentam o risco de evolução mais complicada, como:
A avaliação médica é especialmente importante quando a otite média aguda em adulto surge de forma recorrente, causa perda de audição mais marcada num dos ouvidos ou se associa a febre persistente e saída de pus ou sangue pelo canal auditivo.
Nestes casos, o médico poderá investigar causas associadas, como sinusite crónica ou alterações estruturais do nariz e ouvido, e definir o plano de tratamento e seguimento mais adequado.
O diagnóstico de otite média aguda é essencialmente clínico. É realizado por um médico, habitualmente otorrinolaringologista ou pediatra, com base na história dos sintomas e num exame físico cuidadoso.
O exame fundamental é a observação do ouvido com um otoscópio. Na otoscopia podem ser identificados sinais típicos de otite média aguda, como:
Em casos persistentes, complexos ou com suspeita de perda auditiva significativa, podem ser pedidos exames complementares, como:
Nas crianças com otites de repetição, atraso da fala ou dúvidas sobre a audição, a avaliação em consulta de Otorrinolaringologia e de Audiologia é fundamental.
O tratamento da otite média aguda é sempre individualizado e depende da idade, da gravidade dos sintomas, da existência de doenças associadas e da evolução ao longo das primeiras 48 a 72 horas.
O primeiro passo é controlar o desconforto e avaliar a evolução do quadro, sobretudo nas crianças. Na maioria dos casos, o médico pode iniciar por analgésicos e antipiréticos, como paracetamol ou ibuprofeno, usados nas doses e intervalos recomendados.
Nem sempre é necessário iniciar antibiótico de imediato. Em muitos casos, especialmente em adultos e em crianças com sintomas ligeiros, o médico pode recomendar um período de vigilância de 48 a 72 horas, com:
Se houver melhoria, pode não ser preciso recorrer a antibiótico. Se os sintomas persistirem ou se agravarem, o médico poderá então indicar tratamento antibiótico.
Os antibióticos são geralmente reservados para situações em que o risco de complicações é maior ou em que a infeção se mostra mais intensa. Podem ser necessários, por exemplo, quando existem:
A decisão de prescrever antibiótico deve ser sempre tomada pelo médico, ponderando os benefícios e o risco de resistências bacterianas. É essencial cumprir o esquema recomendado até ao fim, mesmo que os sintomas melhorem antes.
As gotas otológicas só devem ser utilizadas se houver perfuração do tímpano ou saída de secreção pelo ouvido, e sempre com formulações adequadas, que não sejam ototóxicas.
A indicação, o tipo de gotas e a forma correta de aplicação devem ser definidos pelo médico, de acordo com a situação clínica de cada doente.
Em casos de otite média aguda de repetição ou de presença persistente de líquido no ouvido médio (otite serosa), sobretudo quando há impacto na audição e na fala da criança, o otorrinolaringologista pode ponderar:
Estas decisões seguem normas e recomendações científicas e são sempre adaptadas ao contexto clínico de cada doente.
Quando diagnosticada e tratada de forma adequada, a maioria das otites médias agudas melhora em poucos dias.
A dor e a febre tendem a regredir em 2 a 3 dias, embora a sensação de ouvido tapado ou alguma diminuição da audição possam persistir por mais tempo.
Se não for bem acompanhada, a otite média aguda pode originar complicações, tais como:
Nas crianças, episódios repetidos de otite média aguda ou a permanência de líquido no ouvido médio durante vários meses podem:
Por isso, é importante cumprir as indicações do médico, realizar as reavaliações recomendadas e procurar ajuda sempre que surjam sinais de alerta.
Nem sempre é possível evitar completamente a otite média aguda, mas algumas medidas simples reduzem de forma significativa o risco, sobretudo nas crianças pequenas.
Entre as principais estratégias de prevenção destacam-se:
Estas medidas ajudam a diminuir a frequência de infeções respiratórias e, consequentemente, o risco de otite média aguda.
A otite em si não é diretamente contagiosa. O que é contagioso são as infeções respiratórias que a originam, como constipações e gripes, transmitidas por contacto próximo com pessoas infetadas. Por isso, a higiene das mãos, a boa ventilação de espaços e as medidas de etiqueta respiratória são importantes para reduzir o risco.
Na maioria dos casos, a dor e a febre melhoram em 2 a 3 dias após o início do tratamento adequado.
Alguns sintomas, como a sensação de ouvido tapado ou uma ligeira perda auditiva, podem persistir até cerca de uma semana.
Em certas situações, o líquido no ouvido médio pode demorar mais tempo a reabsorver-se, exigindo vigilância em consulta.
Não. Em muitos casos de otite média aguda, em especial em crianças mais velhas e adultos com sintomas ligeiros, pode ser adotada inicialmente uma estratégia de vigilância, com controlo da dor e da febre.
Se os sintomas forem intensos, se não houver melhoria após 48 a 72 horas ou se existirem fatores de risco, o médico poderá então indicar antibiótico.
Durante a fase aguda da otite média aguda não é recomendado ir à piscina. A entrada de água no ouvido pode agravar a inflamação, sobretudo se existir perfuração do tímpano ou saída de secreção. Mesmo no banho, deve ter-se cuidado para evitar que a água entre no ouvido afetado.
Na grande maioria dos casos, a perda auditiva associada à otite média aguda é temporária e melhora à medida que a infeção e o líquido desaparecem.
Contudo, infeções muito graves, complicadas ou que se repetem frequentemente podem provocar danos no tímpano ou nos ossículos, com risco de perda auditiva mais duradoura. Daí a importância do tratamento adequado e do seguimento em casos recorrentes.
Na otite média aguda existe uma infeção ativa, com inflamação marcada, dor, febre e sinais clínicos típicos.
Na otite serosa (ou otite média com efusão) há líquido no ouvido médio, mas sem infeção aguda evidente, podendo manifestar-se sobretudo por sensação de ouvido tapado e perda auditiva ligeira. Ambas podem surgir após infeções respiratórias e interferir com a audição, em especial nas crianças.
Deve procurar avaliação médica se:
Em adultos, deve também procurar ajuda se a dor de ouvido for marcada, se os episódios forem recorrentes ou se tiver doenças crónicas ou défice de imunidade.
Na Clínica ORL
Morada: Avenida da Boavista, 117 – 6.º andar, Sala 606, 4050-115 Porto
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Agende uma consulta.
Fontes
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