Amígdalas inchadas

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As amígdalas inchadas (amígdalas inflamadas, amigdalite ou tonsilite) são um motivo muito frequente de consulta em Otorrinolaringologia. Na maior parte dos casos estão associadas a infeções da garganta, sobretudo virais, e manifestam-se por dor de garganta, dificuldade em engolir, febre e mal-estar. 

Na nossa experiência, a maioria destas situações é benigna e resolve-se em com medidas simples de alívio. No entanto, quando a infeção é bacteriana, quando só uma amígdala aumenta de forma persistente ou quando há dificuldade em respirar ou engolir, é fundamental ser avaliado por um médico otorrinolaringologista.

Tabela Resumo

Tópico

Resumo

O que são amígdalas inchadas

Aumento / inflamação das amígdalas na garganta, geralmente por infeção.

Causas mais comuns

Sobretudo infeções virais; também bacterianas, mononucleose, irritação da garganta, hipertrofia crónica e, raramente, tumores.

Sintomas habituais

Dor de garganta, dificuldade em engolir, febre, gânglios no pescoço, mau hálito e, por vezes, alteração da voz ou ressonar.

Diagnóstico

Observação da garganta e do pescoço; se necessário, zaragatoa e análises de sangue.

Tratamentos

Repouso, hidratação e paracetamol; antibiótico apenas em amigdalite bacteriana; cirurgia em casos selecionados.

Evolução e complicações

Formas bacterianas não tratadas podem causar abcesso e complicações cardíacas, reumáticas e renais.

Prevenção

Higiene das mãos; evitar contacto com pessoas doentes; não fumar; proteger-se do frio; manter estilo de vida saudável.

Amígdala inchada só de um lado

Pode indicar infeção localizada, abcesso, hipertrofia benigna ou, raramente, tumor; aumento unilateral persistente.

Quando procurar ajuda médica

Se a dor intensa durar mais de 3 dias, houver febre alta, dificuldade em engolir ou respirar, amígdala unilateral aumentada ou episódios repetidos ao longo do ano.

Quais as possíveis causas das amígdalas inchadas?

Quando observamos amígdalas inchadas, o cenário mais habitual é uma amigdalite viral. Na nossa prática, é muito mais frequente a infeção vírica do que a infeção bacteriana (amigdalite bacteriana) como causa de inflamação das amígdalas.

As principais causas são:

  • Infeções virais das vias respiratórias superiores;
  • Infeções bacterianas, muitas vezes por estreptococo do grupo A;
  • Mononucleose infeciosa (vírus Epstein-Barr), com amígdalas muito volumosas e cobertas de exsudato;
  • Irritação da garganta por fumo de tabaco, poluição, ar muito seco ou refluxo ácido;
  • Hipertrofia crónica das amígdalas após múltiplos episódios de amigdalite ao longo da vida;
  • Traumatismo local (alimentos duros, espinhas), em geral com inchaço ligeiro e transitório;
  • Doenças hematológicas como linfomas e outros tumores da orofaringe, mais raros, mas que não devemos ignorar.

O traumatismo isolado é, na nossa experiência, uma causa pouco provável de amígdalas francamente aumentadas, exceto em contexto de reação alérgica ao alimento, situação pouco comum.

As amígdalas também podem aumentar de tamanho devido a doenças malignas. Nos linfomas, o aumento pode ser unilateral ou bilateral; em outros tumores da amígdala palatina, a assimetria é habitualmente mais marcada de um lado. Em qualquer situação de aumento persistente e assimétrico, sobretudo em adultos, recomendamos sempre avaliação especializada.

É possível ter apenas uma amígdala inchada?

Quando encontramos uma amígdala inchada só de um lado (amígdala unilateral aumentada), esta assimetria pode ter causas benignas, mas também pode ser o primeiro sinal de um problema que precisa de ser estudado com mais detalhe.

As principais possibilidades incluem:

  • Amigdalite unilateral, em que apenas uma amígdala está inflamada;
  • Abcesso periamigdalino, com dor intensa de um lado, dificuldade em engolir, dificuldade em abrir a boca e febre alta;
  • Hipertrofia assimétrica benigna, como consequência de infeções antigas, sem outros sinais de alarme;
  • Tumores da amígdala ou do tecido linfático (como alguns linfomas), que podem manifestar-se inicialmente apenas por aumento unilateral.

Se notar uma amígdala claramente maior que a outra, especialmente se o aumento é progressivo, duro, associado a gânglios no pescoço, perda de peso, dor persistente ou sangue na saliva, é fundamental ser observado por um otorrinolaringologista.

Quais os possíveis sintomas relacionados?

As amígdalas inchadas podem manifestar-se de formas muito diferentes, consoante a causa e o perfil de cada pessoa.

Os sintomas mais habituais incluem:

  • Dor de garganta, que pode piorar ao engolir;
  • Dificuldade em engolir (disfagia) ou sensação de “nó” na garganta
  • Febre, habitualmente baixa nas infeções virais e mais elevada nas infeções bacterianas;
  • Gânglios (ínguas) aumentados e dolorosos no pescoço;
  • Mau hálito, sobretudo em amigdalites bacterianas ou crónicas;
  • Voz mais abafada ou “anasalada” e ressonar quando as amígdalas são muito volumosas;
  • Dor de ouvido reflexa, sem doença do ouvido propriamente dito;
  • Cansaço, dores de cabeça e mal-estar geral.

Normalmente não existe dificuldade respiratória importante. No entanto, em pessoas muito ansiosas, a sensação de aperto na garganta pode ser vivida como falta de ar; e em crianças ou adultos com amígdalas muito grandes e apneia do sono pode haver respiração ruidosa, pausas respiratórias durante a noite e sono pouco reparador. Estes casos devem ser avaliados com atenção.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de amígdalas inchadas começa sempre com a história clínica e um exame objetivo cuidadoso. Observamos a garganta, o tamanho e o aspeto das amígdalas (vermelhas, com ou sem placas ou exsudato), a úvula, o palato e a parede posterior da faringe, bem como o pescoço, à procura de gânglios aumentados.

Na maior parte das situações, o diagnóstico é essencialmente clínico. Quando precisamos de distinguir melhor entre infeção vírica e bacteriana, podemos recorrer a:

  • Zaragatoa orofaríngea (esfregaço da garganta) para identificar bactérias como o estreptococo;
  • Testes rápidos ao estreptococo, cada vez mais utilizados em cuidados de saúde;
  • Hemograma e outros exames de sangue em casos selecionados, por exemplo se suspeitamos de mononucleose infeciosa ou outras infeções sistémicas;
  • Avaliação das transaminases hepáticas na mononucleose, quando clinicamente indicado.

Em contextos de aumento unilateral persistente das amígdalas, suspeita de tumor ou complicações como abcesso periamigdalino, podemos recomendar exames complementares como ecografia cervical, TAC ou até biópsia da amígdala.

Quais os possíveis tratamentos?

O tratamento depende da causa, da gravidade dos sintomas e das características de cada pessoa (idade, doenças associadas, episódios anteriores, estilo de vida).

Tratamento nas infeções virais

Quando a causa é vírica, não existe um antibiótico específico que “cure” a amigdalite, e o organismo tem geralmente capacidade para resolver a infeção sozinho. O nosso foco é aliviar os sintomas e prevenir complicações.

Costumamos recomendar:

  • Repouso e redução de esforço físico enquanto a febre e a dor são mais intensas;
  • Hidratação abundante com água, infusões e caldos, para manter a mucosa hidratada;
  • Analgésicos e antipiréticos como o paracetamol, de acordo com a idade, peso e indicação médica, para controlar dor e febre;
  • Gargarejos com água morna e sal, que muitas pessoas referem como calmantes;
  • Chás quentes com mel e limão ou chá de gengibre, que, na nossa experiência, ajudam a aliviar a dor de garganta em vários casos.

Nesta fase, é importante reforçar que o uso de antibiótico numa amigdalite claramente viral não traz benefício e pode, pelo contrário, contribuir para resistências bacterianas e efeitos adversos desnecessários.

Tratamento das amigdalites bacterianas

Quando a zaragatoa orofaríngea amigdalina ou o quadro clínico são compatíveis com uma amigdalite bacteriana, o tratamento com antibiótico pode ser necessário para reduzir a duração dos sintomas e evitar complicações.

Nesses casos, salientamos sempre:

  • A importância de cumprir rigorosamente a dose e a duração do antibiótico prescritos;
  • A necessidade de não interromper o antibiótico só porque a pessoa “se sente melhor” ao fim de poucos dias;
  • A recomendação de não reutilizar antibióticos que ficaram a sobrar em casa, nem tomar medicação sem orientação médica.

A par do antibiótico, mantemos as medidas gerais de controlo de dor, febre e hidratação.

Mononucleose infeciosa

Na mononucleose infeciosa, em que as amígdalas costumam estar muito volumosas e com exsudato, o tratamento é também de suporte: repouso, hidratação, paracetamol e medidas de conforto.

Trata-se, por natureza, de uma infeção vírica, pelo que o uso de antibiótico está contraindicado, salvo se houver outra infeção bacteriana associada.

A recuperação pode ser mais arrastada em alguns casos, com cansaço prolongado, e que o esforço físico intenso deve ser limitado durante o período agudo.

Cirurgia das amígdalas

A remoção cirúrgica das amígdalas (amigdalectomia) não é necessária na maioria dos episódios de amigdalite aguda, mas pode ser indicada em situações específicas, por exemplo:

  • Amigdalites de repetição ao longo do ano, com impacto marcado na qualidade de vida;
  • Amígdalas muito volumosas que condicionam apneia do sono, ronco intenso ou dificuldade em engolir;
  • Suspeita de tumor ou assimetria marcante e persistente das amígdalas;
  • Complicações graves anteriores (por exemplo, abcesso periamigdalino recorrente).

A decisão de avançar para a amigdalectomia é sempre individualizada, ponderando riscos e benefícios, idade do doente e antecedentes clínicos.

Qual a possível evolução / complicações se não tratado?

Nas infeções virais simples, as amígdalas inchadas tendem a melhorar de forma espontânea. Contudo, quando a infeção é bacteriana e não é adequadamente tratada, ou quando o quadro é particularmente intenso, podem surgir complicações, como:

  • Abcesso periamigdalino (quinsy), com dor intensa de um lado, dificuldade para abrir em boca, febre alta e desvio da úvula;
  • Propagação da infeção a estruturas vizinhas, originando otites ou sinusites;
  • Complicações sistémicas relacionadas com infeções por estreptococo, como atingimento cardíaco, articular (febre reumática) e renal;
  • Agravamento ou instalação de apneia obstrutiva do sono, em pessoas com amígdalas muito volumosas;
  • Em casos raros, evolução de uma lesão maligna inicialmente pouco evidente, quando sinais de alerta são ignorados.

Por estas razões, não recomendamos que se prolongue uma dor de garganta intensa ou febre elevada durante muitos dias sem reavaliação médica, em especial quando há dificuldade em engolir, respirar ou abrir a boca.

Existem formas de prevenir as amígdalas inchadas?

Nem sempre conseguimos evitar amigdalites, mas existem medidas que, do ponto de vista clínico, reduzem o risco de infeções de garganta e de inflamação das amígdalas.

Habitualmente sugerimos:

  • Lavar as mãos com frequência, sobretudo antes de comer e após contacto com pessoas com infeções respiratórias;
  • Evitar partilhar copos, talheres, escovas de dentes ou outros objetos que entram em contacto com a saliva;
  • Manter uma boa higiene oral e consultar o dentista regularmente;
  • Andar adequadamente vestido no inverno e no verão, evitando grandes variações de temperatura que irritem a garganta;
  • Não fumar e evitar o fumo passivo, que é um fator importante de irritação crónica da orofaringe;
  • Manter uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e hidratação adequada, para apoiar o sistema imunitário.

Perguntas Frequentes

Na maioria dos casos as amígdalas desincham em cerca de 8 dias. 

Se ao fim desse período não notar qualquer melhoria, ou se os sintomas estiverem a agravar-se, aconselhamos que seja reavaliado por um médico.

Perante amígdalas inchadas e dor de garganta ligeira a moderada, recomenda-se, em termos gerais:

  • Beber bastantes líquidos;
  • Evitar esforços físicos;
  • Tomar paracetamol de acordo com a dose recomendada para aliviar dor e febre;
  • Utilizar chás quentes, mel e gargarejos com água morna e sal para aliviar o desconforto.

Se o desconforto amigdalino se mantiver por mais de 3 dias, apesar destas medidas, sugerimos que marque consulta de Otorrinolaringologia para avaliação presencial.

Não necessariamente. Amígdalas aumentadas podem dever-se a amigdalite aguda (vírica ou bacteriana), mas também a:

  • Hipertrofia crónica das amígdalas, em pessoas, especialmente crianças, que tiveram muitas infeções ao longo da vida;
  • Alergias ou irritação crónica por tabaco, poluição ou refluxo gastroesofágico;
  • Doenças do sistema linfático, como linfomas;
  • Outras patologias da orofaringe.

O papel do especialista é precisamente distinguir entre uma amigdalite aguda simples e outras situações que exigem investigação diferente.

As crianças têm, por natureza, um tecido linfoide mais ativo, e é muito comum terem amígdalas grandes e episódios repetidos de amigdalite. A maioria recupera bem, sem sequelas.

Devemos estar mais atentos quando:

  • A criança tem febre alta e está muito prostrada;
  • Recusa comer ou beber devido à dor;
  • Respira de boca aberta, ronca intensamente ou faz pausas respiratórias durante o sono;
  • Tem vários episódios de amigdalite por ano, com faltas frequentes à escola.

Nestes casos, uma avaliação por Otorrinolaringologia pediátrica ajuda a decidir se basta vigilância ou se se deve ponderar cirurgias como a amigdalectomia.

Sim. Amígdalas inflamadas ou com criptas profundas podem acumular restos alimentares e bactérias, originando mau hálito. Em alguns doentes observamos ainda pequenos “grumos” esbranquiçados (caseum) nas amígdalas, que também contribuem para o odor.

Quando as amígdalas são muito volumosas, podem estreitar a passagem de ar, levando a ronco intenso e apneias do sono. Isto afeta a qualidade do sono, a concentração durante o dia e, a longo prazo, pode ter impacto cardiovascular. Nestes cenários, a avaliação por Otorrinolaringologia é particularmente importante.

Recomendamos que procure ajuda médica se tiver:

  • Dor de garganta intensa ou que dura mais de 3 dias sem melhoria;
  • Febre superior a 38,5 ºC ou calafrios marcados;
  • Dificuldade em engolir líquidos, engasgamento fácil ou saliva a escorrer pela boca;
  • Dificuldade respiratória, ruído respiratório importante ou dificuldade em abrir a boca;
  • Apenas uma amígdala claramente mais inchada que a outra, sobretudo se o quadro é persistente;
  • Episódios frequentes de amígdalas inchadas ao longo do ano;
  • Sinais gerais como perda de peso inexplicada, suores noturnos intensos ou cansaço extremo.

Em caso de dúvida, ou se sentir que “algo não está bem”, o mais seguro é marcar consulta com o seu médico de família ou diretamente com um otorrinolaringologista.

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