Como tratar fungos nos ouvidos?
Otorrinolaringologia
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Como tratar fungos nos ouvidos?

Tabela de Conteúdos

A infeção fúngica do ouvido, conhecida como otomicose, é uma das causas mais frequentes de comichão intensa, sensação de ouvido tapado e desconforto persistente. 

Na nossa prática na Clínica ORL, observamos que muitos pacientes chegam após semanas a tentar gotas erradas ou a usar cotonetes, o que acaba por agravar o problema. 

Neste artigo explicamos, de forma clara e rigorosa, como tratar fungos nos ouvidos, quais os principais sintomas, causas, prevenção e quando deve procurar um otorrinolaringologista.

Tabela Resumo

Tópico

Resumo

O que é

Infeção fúngica do canal auditivo externo, geralmente causada por Aspergillus ou Candida.

Causas principais

Humidade, uso de cotonetes, dermatite, aparelhos auditivos, alterações do microbioma, trauma local.

Sintomas típicos

Comichão intensa, ouvido tapado, secreção espessa, descamação, diminuição auditiva.

Diagnóstico

Otoscopia, remoção de detritos, avaliação do tímpano, cultura em casos persistentes.

Tratamento

Limpeza profissional, antifúngicos tópicos, controlo da humidade, tratamento de dermatite associada.

Complicações

Recorrência, otite externa bacteriana, dor intensa, inflamação crónica.

Prevenção

Evitar cotonetes, manter o ouvido seco, cuidados com auriculares/aparelhos auditivos.

O que são fungos nos ouvidos (otomicoses)?

A otomicose é uma infeção do canal auditivo externo causada por fungos – sobretudo Aspergillus niger, Aspergillus fumigatus e Candida albicans. Trata-se, na prática, de um subtipo de otite externa, ou seja, uma forma de inflamação / infeção do ouvido externo em que o agente responsável não é uma bactéria, mas sim um fungo.

Estudos revelam que este tipo de infeção representa cerca de 10% das otites externas, sendo mais comum em ambientes quentes e húmidos.

Na nossa experiência clínica, é uma das causas mais frequentes de comichão persistente no ouvido, especialmente no verão, em pessoas que usam auriculares diariamente, praticam natação ou apresentam doenças de pele como dermatite seborreica ou eczema.

Quais as possíveis causas de fungos nos ouvidos?

Entre os fatores que estão mais associados ao desenvolvimento de fungos no ouvido destacam-se:

  • Humidade retida no canal auditivo após banho, piscina ou uso prolongado de auriculares;
  • Uso de cotonetes;
  • Microtraumas no canal (introdução de objetos pontiagudos, palitos);
  • Dermatite seborreica ou eczema do canal;
  • Uso de próteses auditivas sem limpeza adequada;
  • Utilização prolongada de gotas antibióticas (alteram o microbioma local);
  • Diabetes mal controlada, que aumenta o risco de infeções fúngicas.

Quais os sintomas mais frequentes?

Os sintomas variam conforme o fungo predominante, mas observamos com mais frequência:

  • Comichão intensa (sinal mais típico);
  • Sensação de ouvido tapado;
  • Pequenos estalidos;
  • Dor de ouvidos ligeira ou desconforto;
  • Secreção espessa branca, acinzentada, esverdeada ou preta;
  • Descamação;
  • Redução temporária da audição;
  • Mau odor, em alguns casos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de uma otomicoses é rápido e feito através de otoscopia. Na consulta:

  1. Observamos o canal auditivo e o tímpano;
  2. Identificamos detritos fúngicos, hifas ou secreção típica;
  3. Realizamos limpeza profissional (quando necessário);
  4. Avaliamos sinais de infeção bacteriana associada;
  5. Em casos crónicos, podemos recorrer a cultura para identificar o fungo.

Como tratar fungos nos ouvidos?

Só conseguimos tratar os fungos nos ouvidos de forma consistente quando se combinam várias medidas. O tratamento eficaz baseia-se em etapas bem definidas, ajustadas a cada caso.

Limpeza profissional

A primeira etapa é a mais determinante. A remoção cuidadosa dos detritos fúngicos e da secreção, realizada através de limpeza de ouvidos por aspiração, permite que o canal “respire” e que as gotas atuem. 

Utilizamos métodos como microaspiração ou instrumentos específicos, evitando lavar o ouvido quando não é apropriado. Sem esta limpeza, o tratamento é quase sempre mais lento e menos eficaz.

Gotas antifúngicas tópicas

Depois de o canal estar devidamente limpo, são aplicadas gotas antifúngicas adequadas ao tipo de fungo e ao estado da pele do ouvido. As opções mais utilizadas incluem:

  • Soluções com clotrimazol;
  • Preparações acidificantes, como ácido acético, que dificultam o crescimento fúngico;
  • Combinações antifúngico + corticoide quando existe inflamação mais marcada.

A escolha depende sempre do exame otoscópico e avaliação médica.

Secagem do ouvido e controlo da humidade

Manter o ouvido seco é essencial durante todo o tratamento. Recomendamos:

  • Evitar água no ouvido durante o tratamento;
  • Secar cuidadosamente após banho, sem cotonetes dentro do canal auditivo.

Tratamento de dermatite associada

Se existir eczema no ouvido, dermatite seborreica ou outra alteração dermatológica, é fundamental tratá-la em simultâneo. A otomicose é muito mais difícil de resolver quando o canal está cronicamente irritado, e estas doenças da pele aumentam significativamente o risco de recorrência.

O tratamento deve ser sempre individualizado. Cada ouvido, tipo de fungo e estado do canal exige abordagem específica.

Qual a evolução e possíveis complicações?

Quando tratadas de forma correta, as otomicoses têm boa evolução. Sem tratamento, podem surgir:

  • Infeção bacteriana secundária (otite externa);
  • Dor intensa;
  • Dermatite crónica do canal;
  • Perda auditiva temporária;
  • Recorrência frequente.

Como prevenir fungos nos ouvidos?

Após estabilização, recomendamos:

  • Evitar cotonetes dentro do canal auditivo;
  • Manter o canal auditivo seco;
  • Limpar regularmente auriculares e aparelhos auditivos;
  • Tratar dermatite seborreica e eczema;
  • Reduzir o uso de gotas antibióticas prolongadas sem indicação médica;
  • Usar tampões de ouvido apenas quando aconselhado.

Perguntas Frequentes

Sim. A otomicose é uma forma de otite externa fúngica, causada por fungos como Aspergillus ou Candida.

O mais importante é evitar mexer no ouvido e procurar avaliação por um otorrinolaringologista. A limpeza por aspiração e as gotas antifúngicas adequadas são essenciais para resolver a infeção. O uso de cotonetes, álcool ou receitas caseiras pode piorar a inflamação.

Os sinais mais típicos são comichão intensa, descamação, sensação de ouvido tapado, secreção espessa e diminuição da audição. Muitas pessoas confundem com excesso de cera, por isso a otoscopia é importante para confirmar o diagnóstico.

A descamação pode ser causada por otomicose, eczema, dermatite seborreica ou irritação por cotonetes. O ideal é avaliar o ouvido para perceber se existe infeção associada e tratar também a causa dermatológica. Em alguns casos são necessários cremes específicos ou gotas com ação anti-inflamatória.

A comichão melhora quando se trata a causa – que pode ser fungo, eczema, secura extrema ou acumulação de pele/cera. Evitar mexer no ouvido, não usar cotonetes e manter a zona seca ajuda a reduzir o desconforto até ser observado por um especialista.

Não. O ácido acético caseiro, azeite, alho, álcool ou outras misturas populares irritam o canal auditivo e podem agravar a infeção. A limpeza adequada e o antifúngico correto são indispensáveis para resolver o problema.

O clotrimazol é uma das opções mais utilizadas e eficazes, mas a escolha depende do tipo de secreção, do fungo suspeito e do estado da pele. Em alguns casos são usados outros antifúngicos, soluções acidificantes ou gotas com corticoide.

Se tiver comichão persistente, secreção, ouvido tapado, dor, descamação ou se os sintomas não melhorarem. Também deve procurar ajuda se já usou gotas e não viu melhoria, ou se tem eczema ou dermatite frequente no ouvido.

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Na Clínica ORL

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Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Agende uma consulta.