Como saber se estou a perder audição?
Otorrinolaringologia
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Como saber se estou a perder audição?

Tabela de Conteúdos

Recebemos frequentemente, na Clínica ORL, pessoas preocupadas com a mesma questão: “Como saber se estou a perder audição?”. É uma dúvida muito pertinente, porque a maior parte das perdas auditivas começa de forma subtil. As pessoas não se apercebem de que estão a ouvir menos – percebem sobretudo que “entendem pior”.

Neste artigo, explicamos como reconhecer os sinais, quais os fatores de risco mais relevantes, como confirmar o diagnóstico e quando é urgente procurar ajuda.

Porque é tão difícil perceber que estamos a perder audição?

A perda auditiva não se manifesta como “não ouvir”. O cérebro adapta-se, a pessoa faz mais esforço na comunicação e só muito mais tarde percebe que está a esforçar-se demasiado.

Existem três razões principais:

  1. A perda é gradual, especialmente nas perdas relacionadas com envelhecimento ou ruído.
  2. A compreensão piora antes da “força do som”, a pessoa ouve, mas não entende.
  3. O cérebro compensa, usa leitura labial, contexto e dedução para completar frases.

Por isso é importante reconhecer sinais precoces.

Sinais de alerta para a perda de audição

Com base na nossa experiência, estes são os os sinais que mais frequentemente indicam perda auditiva, mesmo antes de surgir uma diminuição evidente do volume percebido:

  • Dificuldade em seguir conversas (principalmente com ruído), este é o primeiro sinal mais comum.
  • Ter de pedir para repetir com frequência, o paciente costuma dizer “não é que eu não ouça, é que não percebo”.
  • A televisão está sempre mais alta, muitas vezes, familiares são os primeiros a notar.
  • Sensação de ouvido tapado ou pressão, pode ser cerúmen, otite ou perda neurossensorial.
  • Zumbido novo ou persistente (tinnitus), o zumbido pode ser o primeiro sinal de diminuição da audição.
  • Evitar restaurantes, cafés ou jantares de grupo, o ambiente ruidoso torna a compreensão muito difícil.
  • Dificuldade em falar ao telefone, a ausência de leitura labial torna a perda mais evidente.

Quais os fatores de risco associados à perda de audição?

Os principais fatores de risco são:

  • Idade superior a 50 anos;
  • Exposição a ruído (concertos, discotecas, indústria, uso intenso de headphones);
  • Histórico familiar de perda auditiva;
  • Otites recorrentes;
  • Acumulação de cerúmen;
  • Diabetes e hipertensão;
  • Tabagismo;
  • Tristeza, isolamento ou dificuldade crescente em socializar (sinais de esforço auditivo crónico).

Como confirmar se realmente existe perda auditiva?

Antes de avançarmos para exames, é importante referir que existem pequenos sinais do dia a dia que podem levantar suspeita de perda auditiva. Estes indícios ajudam a reconhecer que “algo não está igual ao habitual”, mas não permitem confirmar o diagnóstico. A confirmação real da perda auditiva exige sempre uma avaliação clínica completa.

Na Clínica ORL, seguimos uma abordagem estruturada para identificar com precisão se existe perda auditiva, qual o tipo e qual o grau. O diagnóstico pode incluir:

  • Avaliação clínica em consulta: analisamos a evolução dos sintomas, fatores de risco (idade, ruído, infeções, histórico familiar), impacto no dia a dia e eventuais sinais associados como zumbido ou sensação de ouvido tapado;
  • Otoscopia: observamos o canal auditivo e o tímpano para identificar alterações que possam estar a causar perda auditiva, como rolhões de cerúmen, otites, perfurações ou inflamação;
  • Audiometria tonal e vocal: é o exame fundamental para medir a audição. Permite identificar se existe perda auditiva, determinar o grau (ligeiro, moderado, severo) e distinguir se é uma perda condutiva (problema na transmissão do som) ou neurossensorial (alteração no ouvido interno ou no nervo auditivo);
  • Timpanometria; avalia a mobilidade do tímpano e a função da orelha média, ajudando a detetar problemas como otites serosas, disfunção tubária ou rigidez da cadeia ossicular;
  • Exames complementares (quando necessários); em situações de perda súbita, perda unilateral, zumbido unilateral ou resultados audiométricos assimétricos, podem ser indicados exames como potenciais evocados auditivos ou ressonância magnética para avaliar o nervo auditivo e estruturas adjacentes.

Através desta combinação de história clínica, exame físico e testes audiológicos, conseguimos confirmar de forma objetiva se existe perda auditiva e definir o plano de tratamento mais adequado para cada pessoa.

O que fazer se suspeita que está a perder audição?

Quando surgem sinais que levantam suspeita de perda auditiva, recomendamos aos nossos pacientes que adotem alguns passos simples, mas importantes para proteger a audição e garantir um diagnóstico atempado:

  • Não ignorar os sinais: a perda auditiva progressiva não desaparece por si só e, quanto mais tempo passa, maior pode ser o impacto na comunicação e na qualidade de vida;
  • Evitar o uso de cotonetes: podem empurrar o cerúmen para o interior do canal auditivo, provocar feridas ou agravar a sensação de ouvido tapado;
  • Marcar uma avaliação clínica o mais cedo possível: o diagnóstico precoce permite identificar causas reversíveis e, no caso de perdas súbitas, aumenta significativamente as hipóteses de recuperação;
  • Seguir o tratamento recomendado, dependendo da causa, pode incluir:
    • Remoção de cerúmen impactado;
    • Tratamento de otites ou inflamações do ouvido;
    • Adaptação de aparelhos auditivos em perdas neurossensoriais;
    • Terapêuticas farmacológicas específicas em perdas súbitas;
    • Cirurgia em situações particulares, como otosclerose;
    • Entre outros.

Reforçamos sempre que cada caso é único. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, tendo em conta o tipo de perda auditiva, o grau, a causa e o impacto na vida de cada pessoa.

Quando devo procurar ajuda médica?

Embora muitos casos de perda auditiva evoluam de forma gradual, existem situações que exigem atenção imediata. Consideramos urgente, quando:

  • Perda auditiva súbita (em um ouvido ou ambos);
  • Zumbido unilateral recente, especialmente se surgir de forma abrupta;
  • Sensação súbita de ouvido tapado sem causa aparente;
  • Dor intensa no ouvido;
  • Secreção de pus ou sangue pelo canal auditivo;
  • Alteração rápida da compreensão da fala, mesmo que o volume pareça mantido.

Nestes cenários, recomendamos avaliação por um otorrinolaringologista nas primeiras 24-48 horas, uma vez que a intervenção precoce melhora significativamente o prognóstico, sobretudo nos casos de perda auditiva súbita.

Como prevenir a perda auditiva?

Embora nem todas as causas sejam evitáveis, muitos casos podem ser prevenidos:

  • Evitar ruído prolongado acima de 85 dB;
  • Usar proteção auricular quando necessário;
  • Reduzir volume dos headphones;
  • Evitar cotonetes;
  • Tratar otites rapidamente;
  • Fazer audiometrias regulares a partir dos 50 anos.

A prevenção e a vigilância auditiva realizadas atempadamente evitam muitos dos casos avançados que ainda recebemos em consulta. A proteção auditiva é, muitas vezes, o primeiro passo para preservar uma boa qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Se nota dificuldade crescente em compreender a fala, especialmente com ruído, se aumenta o volume da televisão, pede para repetir com frequência ou surgiu zumbido, sobretudo unilateral, pode estar a perder audição. Nestes casos, recomendamos avaliação por um otorrinolaringologista.

As causas mais comuns incluem envelhecimento, exposição prolongada ao ruído, rolhões de cerúmen, otites, doenças do ouvido interno, medicação ototóxica e, mais raramente, alterações do nervo auditivo.

Depende da causa. Situações como cerúmen ou otites costumam ter resolução completa. Nas perdas neurossensoriais, o tratamento passa por reabilitação auditiva, como aparelhos auditivos.

Nem sempre, mas é frequente existir relação. O zumbido pode ser um dos primeiros sinais de alteração auditiva, sobretudo quando aparece num só ouvido ou de forma persistente.

Sim. A perda auditiva súbita é uma urgência e deve ser avaliada nas primeiras 24-48 horas para maximizar as hipóteses de recuperação.

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Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Agende uma consulta.