Sensação de desequilíbrio ao andar
Otorrinolaringologia
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Sensação de desequilíbrio ao andar: o que pode ser?

Tabela de Conteúdos

Muitas pessoas descrevem uma sensação de desequilíbrio ao andar como “parece que o chão mexe”, “caminho aos ziguezagues”, “parece que a cabeça está a flutuar” ou uma sensação estranha na cabeça acompanhada de tontura. 

Na nossa prática na Clínica ORL, percebemos que este é um sintoma que causa grande preocupação – e compreendemos porquê. Embora muitas causas sejam benignas, esta alteração da marcha pode sinalizar problemas no ouvido interno, equilíbrio neurológico ou até alterações circulatórias.

Tabela Resumo

Tópico

Resumo

Principais causas

Distúrbios vestibulares; alterações da visão; problemas neurológicos; efeitos de medicamentos; alterações ortopédicas; causas cardiovasculares.

Sintomas associados

Tonturas; sensação de cabeça leve ou “a flutuar”; instabilidade; náuseas; visão turva; sensação de puxar para um lado (frequente para o lado esquerdo).

Diagnóstico

Pode incluir: exame vestibular; audiometria; testes neurológicos; exames de imagem quando necessário. Avaliação por otorrinolaringologista.

Tratamentos

Variam conforme o diagnóstico: reabilitação vestibular, medicação, manobras para vertigem, fisioterapia da marcha, correção de défices visuais, ajuste de fármacos.

Prognóstico

Geralmente favorável quando identificado precocemente; risco de quedas aumenta se não tratado.

O que pode causar sensação de desequilíbrio ao andar?

Ao longo dos anos, observamos que este sintoma pode resultar de diversas origens. Muitas vezes, os pacientes chegam à consulta a dizer “parece que caminho de lado”, ou “fico com desequilíbrio para o lado esquerdo sem razão aparente”. Eis as causas mais frequentes:

Distúrbios vestibulares (ouvido interno)

O ouvido interno é responsável por grande parte do equilíbrio. Alterações leves causam instabilidade na marcha, enquanto alterações súbitas podem causar vertigem intensa.

As causas mais comuns incluem:

Alterações neurológicas

Quando o sistema nervoso central ou periférico não está a funcionar adequadamente, o controlo da marcha e do equilíbrio pode ficar comprometido. É habitual que estes pacientes descrevam uma sensação de “pernas pesadas” ou insegurança ao caminhar.

Estas alterações incluem:

  • Neuropatias periféricas;
  • Alterações do cerebelo;
  • Pequenos acidentes vasculares cerebrais;
  • Doenças neurodegenerativas.

Problemas circulatórios

Quando o cérebro não recebe oxigenação adequada, mesmo por momentos, podem surgir  sintomas como:

  • Tontura;
  • Sensação de cabeça leve;
  • Instabilidade ao levantar ou caminhar.

Efeitos de medicamentos

Certos fármacos interferem com os reflexos posturais, com o equilíbrio ou com o nível de vigília. Medicamentos como sedativos, antidepressivos, anti-hipertensores e alguns ansiolíticos podem causar:

  • Marcha instável;
  • Sonolência;
  • Sensação de cabeça a flutuar.

Problemas visuais

A visão fornece ao cérebro uma parte essencial da informação sobre movimento e orientação espacial. 

Quando existe uma alteração visual súbita ou progressiva, o cérebro tem mais dificuldade em compensar, levando a desequilíbrio, especialmente em ambientes pouco iluminados.

Isto é particularmente relevante em pessoas mais velhas e em quem já tem alterações vestibulares.

Alterações musculoesqueléticas

Quando a estrutura física não está alinhada ou quando há perda de força, o corpo compensa com padrões de marcha menos estáveis. É comum vermos isto em pacientes com dor crónica, limitações articulares ou pós-operatório de joelho/anca.

As situações mais frequentes incluem: problemas da coluna (ex.: espondilose); artroses dos joelhos ou das ancas; fraqueza muscular generalizada.

Estes fatores podem modificar a marcha e criar uma sensação persistente de desequilíbrio ao andar.

Quais os sintomas que acompanham o desequilíbrio ao andar?

A sensação de desequilíbrio ao andar raramente surge isoladamente. Na maioria dos casos, surge acompanhada de outras manifestações que ajudam a identificar a origem do problema. Os sintomas que mais frequentemente observamos associados ao desequilíbrio ao andar incluem:

  • Tonturas ou vertigens;
  • Sensação de cabeça “ocupa o espaço errado” ou “a flutuar”;
  • Instabilidade que aumenta no escuro;
  • Falta de equilíbrio nas pernas;
  • Náuseas ou mal-estar;
  • Cefaleias;
  • Sensação de puxar para um lado, frequentemente para o lado esquerdo;
  • Visão turva ou oscilante.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação tem de ser sistemática. Habitualmente começamos por compreender se a sensação é mais vestibular, neurológica ou musculoesquelética.

Os exames mais utilizados incluem:

  • Videonistagmografia e avaliação vestibular completa;
  • Audiograma (muitas causas de tontura têm origem auditiva);
  • Teste da marcha e equilíbrio (inclui Romberg, Unterberger, marcha em linha);
  • Avaliação neurológica;
  • Provas ortostáticas;
  • Ressonância magnética ou TAC, quando indicado.

Muito vezes, o diagnóstico só se esclarece após juntar informações de vários testes.

Quais os possíveis tratamentos?

O tratamento da sensação de desequilíbrio ao andar varia inteiramente conforme a causa identificada. Na nossa prática, observamos que o sucesso terapêutico depende tanto de um diagnóstico preciso como da combinação adequada de estratégias médicas, reabilitadoras e comportamentais. 

Abaixo apresentamos as abordagens mais frequentes de acordo com os diferentes mecanismos envolvidos.

Distúrbios vestibulares

Quando o desequilíbrio tem origem no ouvido interno, as opções de tratamento são direcionadas para corrigir a alteração específica ou acelerar a compensação vestibular.

  • VPPB: manobras de reposicionamento (como a manobra de Epley), que muitas vezes proporcionam alívio imediato;
  • Neurite vestibular: em alguns casos, corticoides nas primeiras 72 horas; depois, reabilitação vestibular para recuperar o equilíbrio;
  • Doença de Ménière: redução de sal na dieta, terapêutica médica específica e, em casos mais resistentes, tratamentos intervencionistas ou cirúrgicos.

Alterações neurológicas

Quando a origem é neurológica, o foco passa por estimular a recuperação funcional e controlar fatores de risco.

  • Tratamento direcionado à causa (ex.: controlo vascular, terapêutica específica conforme o diagnóstico);
  • Fisioterapia especializada na marcha e coordenação.

Desequilíbrio induzido por medicamentos

Alguns fármacos afetam o equilíbrio, pelo que o essencial é ajustar a terapêutica:

  • Revisão dos fármacos com o médico assistente;
  • Substituição por alternativas mais seguras, sempre que possível.

Causas circulatórias

Nestes casos, o objetivo é melhorar o fluxo sanguíneo cerebral e reduzir episódios de instabilidade.

  • Ajuste de medicação anti-hipertensiva;
  • Avaliação cardiológica quando necessário;
  • Aumento gradual e orientado da atividade física.

Problemas visuais

Quando a instabilidade resulta de alterações da visão, o objetivo principal é otimizar a função visual para melhorar a perceção espacial e a segurança na marcha.

  • Correção ótica adequada;
  • Avaliação oftalmológica regular para ajustar graduação ou detetar alterações progressivas.

Alterações musculoesqueléticas

Nestes casos, o foco é restaurar força, mobilidade e alinhamento postural, reduzindo assim o impacto das alterações estruturais na marcha.

  • Fisioterapia dirigida;
  • Fortalecimento muscular progressivo;
  • Tratamento da dor e correção postural quando necessário.

Cada caso é único e deve ser avaliado por um otorrinolaringologista. Não recomendamos automedicação.

Qual a possível evolução se não tratado?

A evolução depende da causa, mas os riscos mais frequentes incluem:

  • Agravamento da instabilidade;
  • Quedas (particularmente em idosos);
  • Limitação das atividades diárias;
  • Agravamento da causa subjacente (por exemplo, défice vestibular permanente);
  • Ansiedade antecipatória das tonturas, que por si só agrava os sintomas.

Perguntas Frequentes

Não. Muitas causas são benignas, mas o sintoma não deve ser desvalorizado.

Sim. É comum em défices vestibulares unilaterais.

Sim. Muitos pacientes descrevem sensação estranha na cabeça e tontura em simultâneo, porque o ouvido interno e o cérebro trabalham juntos para manter o equilíbrio. Quando estes sinais ficam incoerentes – por vertigens, alterações vestibulares, tensão cervical ou hiperventilação – podem surgir sensações vagas como cabeça leve, flutuação, pressão ou desconforto difícil de definir.

Pode, mas apenas depois de excluirmos causas orgânicas. A ansiedade pode provocar tontura e instabilidade através de mecanismos como hiperventilação, tensão muscular cervical e maior sensibilidade do cérebro aos sintomas corporais. No entanto, confirmamos sempre primeiro se o sistema vestibular, neurológico ou cardiovascular está normal antes de atribuir os sintomas à ansiedade.

Sim, o desequilíbrio sem tontura pode estar associado ao ouvido, especialmente nos défices vestibulares crónicos.

Se o desequilíbrio for repetido, persistente, súbito, acompanhado de perda auditiva, visão dupla, queda ou fraqueza, deve procurar um otorrinolaringologista.

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Na Clínica ORL

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Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Agende uma consulta.