O que é a demência?

Demência é definida como sendo um termo geral que se refere à condição associada à perda de funções cognitivas como a memória, atenção e raciocínio, que acaba por interferir nas atividades diárias do indivíduo. Não se sabe ao certo a idade específica do seu início devido às diferenças existentes entre os países e entre indivíduos a nível da educação, cuidados de saúde, estilo de vida e nutrição.

 

Quais os fatores de risco para a demência?

Estima-se que, a nível mundial, afeta 50 milhões de pessoas, sendo que metade da população desconhece os fatores de risco. Os estudos apontam para pelo menos 12 fatores de risco conhecidos, a saber: baixo nível de educação; hipertensão; perda auditiva; hábitos tabágicos; diabetes; depressão; inatividade física; baixo contacto social; obesidade; excesso de consumo de álcool; traumatismo craniano e poluição do ar.

Os fatores anteriormente citados constituem 40% dos fatores de risco para a demência, o que demonstra um alto potencial de prevenção. Desses 40%, a perda auditiva é um dos fatores modificáveis com maior peso, representando um risco de 8%.

 

A relação entre a privação auditiva e demência

Ambas, a privação auditiva e a demência, são mediadas por uma disfunção microvascular e um processo neuropatológico desconhecido. Efeitos associados à privação auditiva tais como isolamento social, alterações nas estruturas cerebrais e o esgotamento da reserva cognitiva constituem fatores de elevada contribuição para a demência. Por outro lado, a demência leva a uma diminuição da memória auditiva e de recursos cognitivos usados em ambientes de escuta difícil, pela presença de ruídos ou uso de máscaras, como tem sido a nossa nova realidade.

Quanto maior o grau da perda auditiva, maiores as probabilidades de ocorrência da demência. Um indivíduo com uma perda de grau ligeiro tem 2 vezes mais chances, probabilidade essa que quase triplica quando o grau de perda é severo (5 vezes).

Sendo a privação auditiva um fator de risco com alto potencial e que pode ser tratada, deve receber a devida atenção e as medidas convenientes serem adotadas. O audiologista desempenha a indispensável função na adaptação protésica e acompanhamento do indivíduo com perda auditiva. A reabilitação auditiva pode ser feita tanto com aparelhos auditivos como com implante coclear, conforme o grau de perda e avaliação de outros fatores individuais do paciente.

Um estudo publicado pela The lancet Comission em 2020, mostrou que 1 em cada 10 casos de demência seria evitada caso o individuo com perda auditiva, tratável, proceda à reabilitação auditiva.

 

Conclusão

Tendo sido demonstrada essa associação íntima entre a privação auditiva e a demência, é recomendado que, caso o indivíduo note que possa ter perda auditiva sejam realizados exames auditivos para que um diagnóstico seja feito e seguidamente a reabilitação auditiva, ambos pelo audiologista. Desta forma, a estimulação auditiva e cognitiva serão possíveis e com mais qualidade, os riscos serão minimizados e, consequentemente, a qualidade de vida é melhorada.

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